Koniec
A morte do Vasco Granja foi um ardil rasteiro (uma rasteira ardilosa?). Um blogger não pode continuar a hibernar depois de uma notícia destas. Ainda resisti alguns dias mas cá estou de novo, a céu aberto, estupidamente incauto (incautamente estúpido?), como um John Wayne que se tivesse deixado abater à porta da prisão no Rio Bravo.
Um blogger não pode continuar a hibernar após a notícia da morte do Vasco Granja. E não invoco este nome como qualquer revivalista dos anos 80 que veste umas leggings. Ícone sem dúvida, mas não dos meus anos 80. Ícone no sentido mais bizantino da palavra, que até cheguei a guardar religiosamente uns pedaços de papel de cenário com a caligrafia do senhor, oh! admirável relíquia.
Há quem lembre Granja na sua caricatura: o tipo que passava desenhos animados checos feitos com novelos de lã. Eu lembro-o na sua magnificência: o tipo que passava desenhos animados checos feitos com novelos de lã. Acrescento à equação o puto que via, fascinado, os desenhos animados checos feitos com novelos de lã. A quem mais poderia agradecer os tricotados que hoje executo?
Indefectível de Granja - my middle name. Até quando, em tempo de caça às bruxas pedófilas, o seu nome foi cochichado, assim me mantive: infectível de Granja. Seriam seguramente um mal-entendido tais boatos. Confundiram o conhecido comunista Granja com o conhecido pequeno almoço dos comunistas. Criancinhas de propaganda, só isso.
Eis que regresso aos posts da maneira mais previsível. Quando morre uma personalidade de culto, não há que esperar outra coisa da comunidade bloguísitca. Previsivelmente assinala-se. Na verdade, fugir ao previsível nunca foi o meu forte. Eu sou o gajo que, para aí em 1989 (ano inolvidável nas suas aliterações: o Batman de Burton, o ciao a Ceauşescu) fui à feira do livro da Escola Preparatória de Tondela e perguntei à Isabel Alçada para quando “Uma Aventura em Tondela”. Previsível como tudo! Mas, em 89, um previsível perfeitamente displicente, que nunca gostei da ideia de livros de aventuras adolescentes escritos por professoras cheias de laca.
20 anos depois, previsível mas não displicente. Vasco, granjeaste aqui um admirador para sempre. E o “granjeaste” também era previsível.